Jornaleiros aderem ao boicote de recargas dos celulares

Publicado originalmente em Instituto Zequinha Barreto, disponível aqui.

Sindicato dos Jornaleiros de São Paulo (Sindjorsp)

Na sexta-feira chuvosa de 4 de fevereiro, a  área central da cidade recebeu  a última etapa das visitas programadas pela comissão do Sindicato dos Jornaleiros de São Paulo (Sindjorsp) para o trabalho de esclarecimento e de adesão ao boicote aos serviços de recargas físicas (com cartões e valores pré-definidos) e on line (por máquina) dos telefones celulares.  Conforme decisão da assembléia geral da categoria, realizada em 18 de fevereiro, desde 1º de março foram suspensas as vendas de recargas devido ao baixo índice. Hoje a margem gira em torno de 4%, repassados aos jornaleiros pelas empresas operadoras de telefonia móvel.  O valor pleiteado pela categoria para remuneração é de 12%  e extensivo para todas as bancas.

O presidente do Sindicato, Ricardo L. Carmo, relatou que as quatro empresas receberam notificação do Sindicato para negociar, mas apenas uma delas atendeu ao pedido. “Somente  representantes da OI sentaram e ouviram nossa reivindicação de 12%”, informou. “No entanto, ficaram de levar a questão à cúpula de empresa e retornar, mas até o momento não foi apresentada contraproposta. As outras três empresas nem ao menos responderam. Não adianta negociar com as distribuidoras, pois estas afirmam que não tem autonomia para decidir”.

Pelo roteiro programado na semana passada, outras regiões da cidade também foram visitadas. “Na região Oeste, principalmente na Lapa, a adesão é de 70%. Em toda Zona Norte o boicote chega a 90%. A adesão é apenas parcial na região da Avenida Paulista”, comentou Ricardo L. Carmo. “Na Paulista, as operadoras chegam a repassar 8% para algumas bancas. É um tratamento desigual e inaceitável, já que as pequenas bancas também devem ser consideradas importantes pontos de venda”.

ADESÃO NO CENTRO – A comissão, que teve à frente o próprio presidente do Sindjorsp,  passou por mais de 30 bancas do centro. Com faixas de protesto e munidos de avisos do boicote dirigidos aos clientes e à população, a comissão percorreu diferentes pontos da região. Em todas as bancas a recepção foi de boas vindas ao  movimento e registrados mais de 80% de adesão.

Na Praça Alfredo Issa, região da Luz, a banca de Cecília Maria Pessoa, foi uma das que parou com as recargas há uma semana. “Não vale a pena, pois o repasse é de 3,5% em média. Muitos  clientes ficaram chateadas,  mas após explicarmos todos entendem”, declarou o seu marido Antonio Pessoa.  “É muito risco para pouco lucro”.

Perto dali, na banca da Rua Brigadeiro Tobias, o jornaleiro Rubens Lourenço também mostra que o movimento das recargas cessou. “Olha  a maquininha. Ela está desligada há tempos”. Seu vizinho, Victor  Lendro, da Revisitaria Rei das Cruzadas, acrescenta. “O pior é que as distribuidoras vêm aqui e sem cerimônia colam adesivos por toda parte das recargas”, disse. “Nem parece que somos donos das bancas. Eles querem dominar tudo e com pouco a oferecer”.

Na Avenida Casper Líbero, a banca de Antônio Cordeiro também suspendeu as recargas desde o dia 1º. “Só estou desovando os cartões, porque eles já formam pagos”. Enquanto isso,  na Avenida Prestes Maia, José Pereira de Carvalho, 86 anos de idade e 40 naquele ponto é mais radical. “Nunca vendi, pois não compensava e não compensa. Sei que estão diminuindo as porcentagens cada vez mais para menos”, explicou.

“JÁ FOI 5%, 4%, AGORA 3%…” –  Na região da Rua 25 de Março e do Mercadão, a adesão também é flagrante. “Já  parei com a Vivo faz tempo e o absurdo é que há pouco tempo tinha , 5%, foi para 4% e  agora é 3%, daqui a pouco chegaremos a 1% ou 0.5%’, reclamou Marcelo Cipolillo, com banca na Rua Cantareira.

Ainda no Parque Dom Pedro, outro exemplo de atitude radical, em meio às bancas que apoiam o boicote, muitas das quais de maneira espontânea, após saberem da decisão em matérias veiculadas na mídia. “Nunca me interessei em recargas, pois para isso preciso de funcionário e não há como bancar a mão de obra”, explica Tswrukiti Katsuyama. Ele tem ponto há 25 anos na Praça Fernando Costa, Parque Dom Pedro. Depois de  subir a Ladeira Porto Geral, passar pela Rua Boa Vista, a comissão chegou à Praça da Sé.  Circundando o movimentado marco zero da cidade existem 13 bancas.

“Não havia aderido ao boicote, pois fiquei sabendo informalmente. A reivindicação é justa e também vou apoiar o movimento”, declarou Edson Ferreira dos Santos, após tirar duvidas com o presidente do Sindjorsp. “Acho importante se pudermos manter esse serviço, pois é um mix nos produtos. Não podemos perder essa queda de braço. Espero que o movimento seja forte, constante e não desanime”.

Para fazer um balanço do movimento o Sindjorsp marcou para a próxima quarta-feira, dia 9, às 18h30, reunião na sede da entidade, quando também serão definidos os próximos passos da luta por uma comissão mais digna aos jornaleiros.

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LASTRO

O Laboratório da Conjuntura Social: tecnologia e território, criado em julho de 1996, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem, por principal finalidade, a valorização da ação social e dos estudos de conjuntura na pesquisa urbana, no momento em que a reestruturação econômica, apoiada nos fluxos informacionais e em novas orientações administrativas, altera oportunidades sociais, funções metropolitanas e o teor sócio-cultural da vida coletiva. O LASTRO encontra-se organizado em torno de uma proposta de trabalho eminentemente metodológica e transdisciplinar, que inclui o alcance de passagens analíticas, de difícil execução, entre esferas, níveis e escalas da experiência urbana brasileira. No desvendamento de uma metodologia adequada à análise de conjuntura comprometida com a dinâmica urbana, valoriza-se o ângulo da ação, onde outras opções analíticas privilegiam mudanças técnicas e tendências exclusivamente econômicas. Sem abandonar estes caminhos, o LASTRO adota, como seu norte reflexivo, as mutações no tecido social, manifestas através de alterações em representações coletivas dos contextos urbanos e em disputas de oportunidades de integração social. A ênfase na conjuntura corresponde a objetivos analíticos relacionados aos vínculos entre estrutura e ação, aos determinantes especificamente sociais da experiência urbana, à desinstitucionalização de relações sociais e à apropriação social de recursos materiais, técnicos e culturais condensados nos espaços metropolitanos do país

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