Nova tese adicionada ao site do LASTRO

ESCOLA-FAVELA E FAVELA-ESCOLA: “Esse menino não tem jeito!”, de Rodrigo Torquato da Silva.

RESUMO

O presente trabalho trata-se de uma Tese de doutorado, apresentada ao Curso de Pós- Graduação em Educação, na Universidade Federal Fluminense, como requisito para a obtenção do Grau de Doutor. A problemática central, na qual acredito estar a originalidade da tese, é a ideia de que a favela ocupa um espaço dentro da escola. Nesse espaço, mantém valores, culturas, e, sobretudo, epistemologias construídas a partir das aprendizagens que a favela possibilita. Assim, demonstro que há espaços em algumas escolas que são controlados pelos alunos (as) e/ou regulados pelas lógicas de uma sociabilidade violenta oriunda das favelas. Nesse sentido, o poder que regula as relações e impõe rotinas na favela também se faz presente, em graus de intensidades diferentes, dentro da escola, provocando tensionamentos que redirecionam os caminhos e as expectativas almejadas pelos projetos e pelos currículos oficiais. A partir das observações e das anotações de campo, indico pontos de interlocução entre as lógicas de sociabilidades, oriundas da favela, e os currículos praticados nos cotidianos das escolas públicas em que atuei como professor das séries iniciais do Ensino Fundamental. Para isso, apresento algumas situações-exemplos vivenciadas com o cotidiano dessas escolas, a partir das quais reflito e problematizo acerca das imposições de projetos universalizantes que, de certa forma, impõem homogeneizações de padrões de sociabilidades e de comportamentos violentos, que podem ser constatados em situações simples. A partir daí, dá- se a estrutura geral da tese: 1) Favela, escola e sociabilidades: os fios condutores de uma problemática; 2) Contextos e referentes de uma história mal-dita; 3) Momentos e situações: os nexos empíricos-metodológicos de uma pesquisa visceral. Defendo, portanto, a tese de que existe uma relação ambígua e ambivalente de extrema complexidade, com a qual nós, professores e profissionais da educação pública, não sabemos lidar: o enredamento de um tipo de sociabilidade violenta, propagada pelo tráfico de drogas das favelas, que não só está presente no cotidiano escolar, mas, sobretudo, se impõe, em muitas situações, ao poder constituído. Isso reforça, nos estudantes dessas classes populares, a formação de uma mentalidade vulnerável aos comportamentos e valores difundidos pela lógica dos “comandos” de traficantes, aos quais muitos brasileiros estão submetidos.


Publicado por

LASTRO

O Laboratório da Conjuntura Social: tecnologia e território, criado em julho de 1996, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem, por principal finalidade, a valorização da ação social e dos estudos de conjuntura na pesquisa urbana, no momento em que a reestruturação econômica, apoiada nos fluxos informacionais e em novas orientações administrativas, altera oportunidades sociais, funções metropolitanas e o teor sócio-cultural da vida coletiva. O LASTRO encontra-se organizado em torno de uma proposta de trabalho eminentemente metodológica e transdisciplinar, que inclui o alcance de passagens analíticas, de difícil execução, entre esferas, níveis e escalas da experiência urbana brasileira. No desvendamento de uma metodologia adequada à análise de conjuntura comprometida com a dinâmica urbana, valoriza-se o ângulo da ação, onde outras opções analíticas privilegiam mudanças técnicas e tendências exclusivamente econômicas. Sem abandonar estes caminhos, o LASTRO adota, como seu norte reflexivo, as mutações no tecido social, manifestas através de alterações em representações coletivas dos contextos urbanos e em disputas de oportunidades de integração social. A ênfase na conjuntura corresponde a objetivos analíticos relacionados aos vínculos entre estrutura e ação, aos determinantes especificamente sociais da experiência urbana, à desinstitucionalização de relações sociais e à apropriação social de recursos materiais, técnicos e culturais condensados nos espaços metropolitanos do país

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s