Carta pública do FEDEP à população carioca

Divulgamos aqui a carta pública do FÓRUM ESTADUAL EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA.

Os educadores, os militantes da educação e toda a população carioca vivenciaram, no 7 de abril de 2011, um dia de profundo pesar. Doze crianças, em especial meninas, foram sumariamente assassinadas em uma escola em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. Outras tantas estão, nesse momento, lutando pelas suas vidas, feridas com gravidade. É uma triste afirmativa, mas as vítimas fatais podem, a qualquer momento, aumentar.

Nós, do FÓRUM ESTADUAL EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA, viemos, primeiramente, nos solidarizar com as diversas vítimas, seus familiares e conhecidos, com os diversos profissionais desta unidade de ensino que sofreram esta irreparável violência e oferecer, a todos estes, o nosso irrestrito apoio, mesmo sabendo que toda e qualquer tristeza, indignação e mesmo solidariedadesão insuficientes para diminuírem a dor e a angústia de tantos neste momento.

Mas este não foi uma tragédia sem aviso. Não são incomuns as cenas de violência e os flagrantes de insegurança que rondam as escolas públicas do Município e do estado do Rio de Janeiro. Não são incomuns o sentimento de medo e apreensão que permeiam o ambiente escolar, nem raras as constantes agressões a que são submetidos profissionais da educação e estudantes em diversas e variadas formas.

A estrutura sucateada, a falta de funcionários suficientes, a superlotação das salas de aula foram todos fatores que contribuíram para a grandeza desta tragédia e, a estes fatores, não podemos imputar a culpa ao assassino. É culpa sim, do descaso de longa data a que está submetida a escola pública. E esta era, infelizmente, uma tragédia anunciada. Senhor Prefeito Eduardo Paes (e todos aqueles que tratam a educação e a escola com desprezo) não se engane, esta tragédia é de profunda responsabilidade da sua negligência de sempre e da sua omissão contumaz!

Pois há exata uma semana antes da tragédia, o Fórum Estadual Em Defesa Da Escola Pública foi às ruas tornar público, dentre tantas outras muitas mazelas, as condições precárias de segurança do trabalho e de aprendizagem para os educadores e os alunos nas escolas públicas do Rio de Janeiro. E, assim, gostaríamos de chamar a atenção da população e da categoria para a responsabilidade das autoridades instituídas, que “fingem” não ouvir a estes e outros diversos reclames dos educadores e alunos. Achamos importante que esta nossa solidariedade não seja silenciosa, pois é desta dor profunda, oriunda da extrema injustiça, que surge o impulso de lutar cada vez mais pela segurança dos nossos alunos, pela segurança dos educadores, pelo número de funcionários adequados a cada unidade de ensino, pela limitação do numero de alunos em sala de aula, pela valorização do ambiente escolar – ontem, hoje e sempre – em defesa da escola pública!

Fórum Estadual em Defesa da Escola Pública – RJ.

Publicado por

LASTRO

O Laboratório da Conjuntura Social: tecnologia e território, criado em julho de 1996, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem, por principal finalidade, a valorização da ação social e dos estudos de conjuntura na pesquisa urbana, no momento em que a reestruturação econômica, apoiada nos fluxos informacionais e em novas orientações administrativas, altera oportunidades sociais, funções metropolitanas e o teor sócio-cultural da vida coletiva. O LASTRO encontra-se organizado em torno de uma proposta de trabalho eminentemente metodológica e transdisciplinar, que inclui o alcance de passagens analíticas, de difícil execução, entre esferas, níveis e escalas da experiência urbana brasileira. No desvendamento de uma metodologia adequada à análise de conjuntura comprometida com a dinâmica urbana, valoriza-se o ângulo da ação, onde outras opções analíticas privilegiam mudanças técnicas e tendências exclusivamente econômicas. Sem abandonar estes caminhos, o LASTRO adota, como seu norte reflexivo, as mutações no tecido social, manifestas através de alterações em representações coletivas dos contextos urbanos e em disputas de oportunidades de integração social. A ênfase na conjuntura corresponde a objetivos analíticos relacionados aos vínculos entre estrutura e ação, aos determinantes especificamente sociais da experiência urbana, à desinstitucionalização de relações sociais e à apropriação social de recursos materiais, técnicos e culturais condensados nos espaços metropolitanos do país

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