Manifesto dos Músicos da OSB

Orquestra Sinfônica Brasileira perde parte de sua memória e história com a demissão “por justa causa” de mais da metade do seu corpo orquestral. Os músicos da OSB se dedicaram à instituição por muitos anos, mesmo em momentos de crise. Agora, sofrem demissões em massa por não concordarem com um sistema de avaliações humilhante, imposto de forma autoritária, para “elevar a OSB a um patamar internacional”. Os artistas discordam também do novo Regimento Interno, que propõe mudanças nas relações trabalhistas, tais como a carga de trabalho dobrada, sob a promessa de aumento salarial, que é, de fato, uma mágica financeira onde se cortam benefícios e anuênios.

Os profissionais da OSB estão comprometidos com o seu aprimoramento artístico há mais de 70 anos e não concordam com o equivocado processo de reavaliação imposto pelo diretor artístico, o maestro Roberto Minczuk. Em 30 minutos de solo não é possível observar a integração do profissional com seu naipe e com a orquestra em geral. Todos os músicos da OSB foram contratados por concurso e sua avaliação se dá no trabalho diário, bem como nas apresentações. Em 2010, a OSB realizou cerca de 100 concertos para um público estimado em 190 mil pessoas. O sucesso de tal temporada avaliza a qualidade de desempenho do corpo orquestral.

Artistas consagrados como o violoncelista Antonio Menezes, o pianista Nelson Freire, a pianista Cristina Ortiz, os maestros Roberto Tibiriçá e Isaac Karabtchevsky e a bailarina Ana Botafogo mostraram-se perplexos com a sequência de acontecimentos que resultou nas demissões. Aqueles que participariam dos espetáculos da orquestra nessa temporada cancelaram suas apresentações.

Esta crise ficou ainda mais complicada quando a FOSB anunciou para o primeiro semestre de sua temporada oficial concertos com a OSB Jovem, integrada por estudantes bolsistas, substituindo indevidamente até julho a orquestra profissional. Tal atitude compromete não só a temporada, mas também os objetivos de cunho educativo e profissionalizante desta orquestra-escola. As ações culminam com a abertura de concursos em Nova Iorque e Londres para contratação dos novos músicos que ocuparão as vagas dos demitidos.

Apesar da estrondosa repercussão negativa no meio musical e na imprensa, no Brasil e no exterior, o Conselho da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira insiste em apoiar a conduta de Minczuk, que chegou ao poder sem ser votado pelo corpo orquestral, como seria de praxe. Sob sua direção tirânica, contabiliza-se, ao longo dos últimos cinco anos, a perda de mais de 60 músicos.

A demissão por justa causa impede os músicos da OSB de exercerem seu ofício e receberem seus direitos trabalhistas. Além disso, destrói as relações humanas e profissionais presentes na orquestra. Uma história que acaba assim não é apenas um desrespeito ao músico e ao público, mas uma falta de respeito humano.

Publicado por

LASTRO

O Laboratório da Conjuntura Social: tecnologia e território, criado em julho de 1996, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem, por principal finalidade, a valorização da ação social e dos estudos de conjuntura na pesquisa urbana, no momento em que a reestruturação econômica, apoiada nos fluxos informacionais e em novas orientações administrativas, altera oportunidades sociais, funções metropolitanas e o teor sócio-cultural da vida coletiva. O LASTRO encontra-se organizado em torno de uma proposta de trabalho eminentemente metodológica e transdisciplinar, que inclui o alcance de passagens analíticas, de difícil execução, entre esferas, níveis e escalas da experiência urbana brasileira. No desvendamento de uma metodologia adequada à análise de conjuntura comprometida com a dinâmica urbana, valoriza-se o ângulo da ação, onde outras opções analíticas privilegiam mudanças técnicas e tendências exclusivamente econômicas. Sem abandonar estes caminhos, o LASTRO adota, como seu norte reflexivo, as mutações no tecido social, manifestas através de alterações em representações coletivas dos contextos urbanos e em disputas de oportunidades de integração social. A ênfase na conjuntura corresponde a objetivos analíticos relacionados aos vínculos entre estrutura e ação, aos determinantes especificamente sociais da experiência urbana, à desinstitucionalização de relações sociais e à apropriação social de recursos materiais, técnicos e culturais condensados nos espaços metropolitanos do país

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s