II Seminário Aberto do Grupo de Estudos Urbanos (GEU)

Texto publicado originalmente no site da UFBA, cartaz publicado pelo site do LASTRO.

Produção do espaço urbano é tema de seminário na UFBA

Pesquisadores e professores de oito universidades brasileiras se reúnem em Salvador, no II Seminário Aberto do Grupo de Estudos Urbanos (GEU), que tem como tema “A produção do espaço urbano: agentes e processos, escalas e desafios”. O evento é uma promoção do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFBA, com o apoio da Capes, CNPq, PPGAU-UFBA e Edufba, marcando também a instalação do primeiro doutorado nesta área de conhecimento no Estado da Bahia. O objetivo é apresentar à comunidade acadêmica os resultados das pesquisas e dos workshops e encontros desenvolvidos pelo grupo nos últimos quatro anos.

Devido ao grande número de inscritos, o II Seminário Aberto do Grupo de Estudos Urbanos (GEU) será realizado no Salão Nobre da Reitoria da UFBA, no período de 10 a 11 de maio. A coordenação geral do evento é do Prof. Angelo Serpa, do Departamento de Geografia da UFBA. As inscrições de estudantes de graduação, pós-graduação e profissionais interessados estão abertas desde o dia 18 de abril, presencialmente, na secretaria do Mestrado em Geografia (Sala 305C do IGEO-UFBA), das 9 às 12h. Recomenda-se fortemente a inscrição antecipada dos interessados, especialmente para os que vão pleitear certificados de participação, que serão emitidos para aqueles com 100% de frequência.

Possibilidade de constituição de uma Geografia Urbana

O GEU tem por finalidade o aprofundamento do debate sobre o fenômeno urbano brasileiro como momento necessário à construção da compreensão da realidade, em seu movimento, como possibilidade de exercício constitutivo de uma Geografia Urbana. O grupo é composto por Ana Fani Alessandri Carlos (USP), Jan Bitoun (UFPE), Marcelo Lopes de Souza (UFRJ), Maria Encarnação Beltrão Sposito (UNESP-PP), Maurício Abreu (UFRJ), Pedro de Almeida Vasconcelos (UFBA/UCSal), Roberto Lobato Corrêa (UFRJ) e Silvana Pintaudi (UNESP-Rio Claro).

Desde 2001, o GEU reuniu-se periodicamente, objetivando debater as questões que embasam a pesquisa urbana. Dessas reuniões participaram vários pesquisadores, além dos integrantes do GEU: Amélia Damiani, José Borzachiello da Silva, Eustógio Dantas, Leila Dias, Nelba Penna, Paulo César da Costa Gomes e Sergio Martins; outros participaram das discussões e contribuíram com textos para o livro “A produção do espaço urbano: agentes e processos, escalas e desafios”, organizado por Maria Encarnação B. Sposito, Ana Fani Alessandri Carlos e Marcelo Lopes de Souza, publicado pela Editora Contexto de São Paulo e que será lançado nacionalmente no evento de Salvador: Arlete Moysés Rodrigues (UNICAMP), Angelo Serpa (UFBA), Glória A. Alves (USP) e Marcio Piñon (UFF).

Como entender o sentido amplo de “produção”

Sobre o evento, os organizadores explicam que o entendimento de produção não se restringe a um sentido estreito, econômico-material ou economicista. Muito embora, nos marcos do capitalismo, a produção do espaço se dê sob o signo de uma sobrevalorização do econômico no próprio imaginário, é fundamental resgatar a importância e as especificidades do poder e do simbólico. E é precisamente o fato de, na esteira da expansão do capitalismo, a verdadeira alteridade ser destruída ou acuada e a verdadeira criação ser rebaixada a uma produção serial de mercadorias, que sugere a relevância (ou mesmo a urgência) de se compreender criticamente o poder e o simbólico na contemporaneidade, no momento em que a “cultura” (inclusive na sua expressão espacial!), ela própria, cada vez mais é convertida em mercadoria. Nessa direção, pode-se questionar o papel da intervenção do Estado, com seus interesses geralmente muito contraditórios com os interesses dos grupos humanos majoritários.

A construção de um projeto para a cidade  − para a sociedade − não pode nascer das pranchetas, mas passa e tem de passar, isso sim, pela intervenção dos interessados, e não pela simples consulta, usualmente travestida de “participação popular”. Diante da complexidade da sociedade urbana, pode-se pressupor que a produção do espaço constitui um elemento central da problemática do mundo contemporâneo, tanto do ponto de vista da realização do processo de acumulação capitalista  − e, por consequência, de justificativa das ações do Estado em direção à criação dos fundamentos da reprodução  − quanto do ângulo da (re)produção da vida, que se realiza em espaços-tempos delimitados reais e concretos.

As práticas de resistência precisam ser pensadas com o recurso à construção de um olhar teórico visceral e dialeticamente articulado, precisamente, com a práxis, em um movimento que revele o sentido e o fundamento dos conflitos que se estabelecem hoje, em torno do espaço, como luta pelo “direito à cidade”. São essas questões que irão nortear as intervenções dos palestrantes, co-autores do livro A Produção do Espaço Urbano, em três mesas redondas nos dias 10 e 11 de maio de 2011, no Auditório da Reitoria da Universidade Federal da Bahia. O seminário objetiva também o debate sobre as pesquisas urbanas e regionais no Estado da Bahia, incorporando essas questões específicas nas discussões pretendidas, de modo a subsidiar a definição das temáticas que nortearão os trabalhos do GEU nos próximos anos.”

Publicado por

LASTRO

O Laboratório da Conjuntura Social: tecnologia e território, criado em julho de 1996, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem, por principal finalidade, a valorização da ação social e dos estudos de conjuntura na pesquisa urbana, no momento em que a reestruturação econômica, apoiada nos fluxos informacionais e em novas orientações administrativas, altera oportunidades sociais, funções metropolitanas e o teor sócio-cultural da vida coletiva. O LASTRO encontra-se organizado em torno de uma proposta de trabalho eminentemente metodológica e transdisciplinar, que inclui o alcance de passagens analíticas, de difícil execução, entre esferas, níveis e escalas da experiência urbana brasileira. No desvendamento de uma metodologia adequada à análise de conjuntura comprometida com a dinâmica urbana, valoriza-se o ângulo da ação, onde outras opções analíticas privilegiam mudanças técnicas e tendências exclusivamente econômicas. Sem abandonar estes caminhos, o LASTRO adota, como seu norte reflexivo, as mutações no tecido social, manifestas através de alterações em representações coletivas dos contextos urbanos e em disputas de oportunidades de integração social. A ênfase na conjuntura corresponde a objetivos analíticos relacionados aos vínculos entre estrutura e ação, aos determinantes especificamente sociais da experiência urbana, à desinstitucionalização de relações sociais e à apropriação social de recursos materiais, técnicos e culturais condensados nos espaços metropolitanos do país

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