Jovem preso ilegalmente por policiais da UPP Pavão-Pavãozinho foi solto na última terça-feira

Publicado originalmente em Rede Contra Violência, disponível aqui

O jovem Maurício Pedro, preso irregularmente por policiais da UPP Pavão-Pavãozinho/Cantagalo no dia 27/07, foi solto na última terça-feira, 02 de agosto. A defensoria pública conseguiu a liberdade de Maurício ainda na sexta-feira, mas a ordem judicial apenas foi cumprida esta semana.

Maurício é testemunha do assassinato de André de Lima Cardoso Ferreira, morto por policiais militares lotados na Unidade de Polícia Pacificadora das comunidades Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. Tudo indica que sua prisão foi uma espécie de retaliação por parte dos policiais da UPP local, visto que as circustâncias de sua prisão deixaram claro que se tratava de uma grande armação construída pelos policiais, especialmente por Tiago Barreto Siqueira da Silva, conhecido como Barreto, cujo prática violenta e arbitrária contra os moradores é de conhecimento de todos na região.

Maurício retornava do trabalho, no início da noite, quando um policial, de nome Ramos, abordou-o na Rua Sá Ferreira, próximo da comunidade Pavão-Pavãozinho. Este policial o chamou pelo nome e pediu para ele parar, o que deixou Maurício intrigado, já que não entendia como o PM sabia quem ele era. O policial Barreto, acusado por muitos moradores de inúmeras arbitrariedades nas comunidades em questão, e que estava com o outro agente, disse-lhe: “a casa caiu, a casa caiu”. Em seguida, pegou seu telefone celular e efetuou uma ligação. Logo após, outros PMs apareceram e afirmaram: “foi ele mesmo!”. Neste momento, a farsa construída pelo policial Barreto começou a ser colocada em prática: Maurício estava sendo acusado de ter supostamente furtado um turista estrangeiro às 9hs, na praia de Copacabana. A partir de então, uma série de arbitrariedades e ilegalidades ocorreram.

Os PMs que teriam confirmado o suposto furto, além do próprio Barreto, levaram Maurício. A suposta ocorrência não seria registrada na 13º Delegacia de Polícia, próxima ao local do suposto ocorrido e da localidade em que foi preso. Os policiais se dirigiram para a 14ª DP, no bairro do Leblon. Ainda na Avenida Vieira Souto, este grupo de PMs encontrou outro. O policial Barreto desceu da viatura, apertou a mão de outro agente e disse-lhe: “fode ele, pois é testemunha”. Após isso, seguiram para a 14ª DP. Na delegacia, o jovem continuou sendo maltratado. A delegada adjunta Alessandra Leal Brasil se recusou a ouvir as testemunhas de defesa do rapaz, principalmente o seu patrão, que estava com ele no horário do suposto furto e se prontificou a ir à delegacia para provar que era impossível ser verdadeira a versão dos PMs, já que Maurício estava no trabalho durante o horário da suposta ocorrência. Além disso, no único registro feito, não se menciona o nome da suposta vítima, que teria ido embora do país, misteriosamente, naquele mesmo dia.

Na delegacia, Maurício foi obrigado a tirar suas roupas, numa abordagem completamente ilegal por parte dos policiais civis da unidade. Após muita insistência do jovem, que estava com muito frio, e já de madrugada, a delegada adjunta permitiu que usasse suas roupas novamente. Não bastasse todo o constrangimento, Maurício ainda seria agredido com um tapa no rosto, desferido por um dos policiais civis de plantão. No dia seguinte, o jovem foi transferido para a Polinter do Grajaú e, em seguida, levado para o presídio Ary Franco, em Água Santa. Lá, teve seus cabelos raspados e passou três noites.

Após pressão de militantes da Rede contra Violência e do trabalho da defensoria pública, o jovem foi solto nesta última terça-feira, dia 02 de agosto.

Todos estes acontecimentos apontam para uma clara tentativa de intimidar uma testemunha de um assassinato cometido por policiais da UPP Pavão-Pavãozinho/Cantagalo. Não bastasse as inúmeras denúncias de abordagens truculentas e ameaças, o repertório dos policiais daquela UPP vem incluindo perseguição de pessoas testemunhas de um crime cometido por agentes públicos.

Repudiamos veementemente tal atitude, exigimos que os fatos sejam apurados e que os policiais Barreto, Ramos e outros envolvidos neste e em outros casos de violência contra moradores daquelas comunidades sejam imediatamente afastados de suas funções, pois, caso contrário, a segurança e a vida dos moradores estará em risco.

Comissão de Comunicação da Rede contra Violência

 

Publicado por

LASTRO

O Laboratório da Conjuntura Social: tecnologia e território, criado em julho de 1996, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem, por principal finalidade, a valorização da ação social e dos estudos de conjuntura na pesquisa urbana, no momento em que a reestruturação econômica, apoiada nos fluxos informacionais e em novas orientações administrativas, altera oportunidades sociais, funções metropolitanas e o teor sócio-cultural da vida coletiva. O LASTRO encontra-se organizado em torno de uma proposta de trabalho eminentemente metodológica e transdisciplinar, que inclui o alcance de passagens analíticas, de difícil execução, entre esferas, níveis e escalas da experiência urbana brasileira. No desvendamento de uma metodologia adequada à análise de conjuntura comprometida com a dinâmica urbana, valoriza-se o ângulo da ação, onde outras opções analíticas privilegiam mudanças técnicas e tendências exclusivamente econômicas. Sem abandonar estes caminhos, o LASTRO adota, como seu norte reflexivo, as mutações no tecido social, manifestas através de alterações em representações coletivas dos contextos urbanos e em disputas de oportunidades de integração social. A ênfase na conjuntura corresponde a objetivos analíticos relacionados aos vínculos entre estrutura e ação, aos determinantes especificamente sociais da experiência urbana, à desinstitucionalização de relações sociais e à apropriação social de recursos materiais, técnicos e culturais condensados nos espaços metropolitanos do país

  1. Há 1 ano e 7 meses nestas comunidades, é possível notar a satisfação e a sensação de liberdade em nós moradores de bem, que por décadas fomos reféns do narcotráfico, o mesmo que julgou e condenou à morte, incontáveis pessoas, sem qualquer intervenção ou protesto destes que hj dizem defender os direitos humanos. Quanto à ocorrência que culminou na morte do homem chamado André, esperamos mesmo que seja elucidada de forma justa, mesmo sendo notório o interesse de muitos em dificultar o trabalho da Unidade, uns por interesse político e outros por interesse financeiro, já que tráfico que vende pouco deixa muita gente “desamparado”, é do conhecimento de todos aqui do morro, a história dessa “vítima”. Em nome dos moradores de bem das comunidades Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, peço aos policiais que continuem seu trabalho, o social (que não é motivo de reportagens e atenção dos DH) e o operacional, são quase 2 anos que estamos podendo VIVER neste local, que repito, por décadas foi o reinado dos traficantes e seus “carrapatos”, q hj tentam minar o trabalho da PM.

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