Ato de Santa Teresa, por Cláudia Torres Codeço

Sob o céu de chumbo de domingo, cerca de 150 pessoas se reuniram no pictórico Largo do Curvelo, em cerimônia ecumênica em homenagem às vítimas do desastre do Bondinho de Santa Teresa. Tudo era amarelo em nosso redor, as fotos, os girassóis, as faixas e o pequeno bonde de brinquedo apinhado de crianças. No altar improvisado, vítimas, parentes, amigos e moradores do bairro acompanharam emocionados os rituais religiosos católico, judaico, candomblé, umbanda, kardecista, hare-krishna, sick, bahai, budista. “Não estamos apenas clamando nossa indignação. Tiraram uma tradição nossa, do Rio de Janeiro”, “Esta causa não é só nossa, o bondinho faz parte de nossa cultura e não podemos esquecer dos que partiram. Me sinto um lixo, os governantes nos tratam como lixos.” eram desabafos entrelaçados a cantos, rezas, incensos e silêncios.

Terminada a cerimônia, segue o cortejo pelos paralelepípedos desalinhados da Rua Joaquim Murtinho ao som das marchinhas do tradicional Bloco Céu na Terra. O trilho manchado de vermelho sangue aflora do chão convidando ao tombo, acima vê-se as gambiarras da fiação elétrica, testemunhas do sucateamento do bondinho.

Mil flores foram levadas e depositadas na Escada de Santa Teresa, palco da tragédia e hoje convertida em lugar de oração e protesto. Nelson! Nelson! Gritaram todos exaltados a homenagem ao motorneiro herói covardemente incriminado pelo governo como responsável, como se sua mão pudesse substituir um freio.

As principais reivindicações era o retorno do Bondinho, seguro e público, e a punição de Julio Lopes. “Não queremos vingança, queremos justiça! Há provas de que Julio Lopes. Secretário de Transportes, teria pleno conhecimento da situação dos bondinhos e nada fez. Homicídio Doloso!”, clamavam, repetidamente.

E todo sábado um evento deverá acontecer em Santa Teresa, “não permitiremos que caia no esquecimento”, foi a mensagem final.

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LASTRO

O Laboratório da Conjuntura Social: tecnologia e território, criado em julho de 1996, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem, por principal finalidade, a valorização da ação social e dos estudos de conjuntura na pesquisa urbana, no momento em que a reestruturação econômica, apoiada nos fluxos informacionais e em novas orientações administrativas, altera oportunidades sociais, funções metropolitanas e o teor sócio-cultural da vida coletiva. O LASTRO encontra-se organizado em torno de uma proposta de trabalho eminentemente metodológica e transdisciplinar, que inclui o alcance de passagens analíticas, de difícil execução, entre esferas, níveis e escalas da experiência urbana brasileira. No desvendamento de uma metodologia adequada à análise de conjuntura comprometida com a dinâmica urbana, valoriza-se o ângulo da ação, onde outras opções analíticas privilegiam mudanças técnicas e tendências exclusivamente econômicas. Sem abandonar estes caminhos, o LASTRO adota, como seu norte reflexivo, as mutações no tecido social, manifestas através de alterações em representações coletivas dos contextos urbanos e em disputas de oportunidades de integração social. A ênfase na conjuntura corresponde a objetivos analíticos relacionados aos vínculos entre estrutura e ação, aos determinantes especificamente sociais da experiência urbana, à desinstitucionalização de relações sociais e à apropriação social de recursos materiais, técnicos e culturais condensados nos espaços metropolitanos do país

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