Homenagem a Profª Ana Clara Torres Ribeiro

À Professora, Mestre e Amiga, Ana Clara Torres Ribeiro, pela capacidade de compreender, apoiar e formar, nosso eterno carinho.  Pelo seu brilhantismo e integridade, nossa eterna admiração.

ANA CLARA TORRES RIBERO, socióloga que marcou e marca gerações de intelectuais e cidadãos ao longo de sua trajetória acadêmica e pessoal.  Criou o Lastro, onde estimulou o diálogo entre as várias faces do conhecimento.

A equipe do LASTRO que viveu o cotidiano desse trabalho intelectual, ético, militante e amoroso, compreende hoje o sentido das ações do fazer ciência com dignidade, sabedoria e sensibilidade, no respeito à alteridade.  Sim, foi isso que ensinou e ensina Ana Clara em seu pensamento vivo e é o que nos une, Lastreanos e não Lastreanos, à Professora.

Sua sabedoria e generosidade foram – e são – nosso norte e inspiração, alimentando sonhos e expectativas em torno de um modo de produzir conhecimento tão criativo quanto bem sucedido.

Ela nos mostrou que a ação social, verdadeiramente emancipatória, promovida pelo(s) (muitos) Outro(s) e sua conseqüente valorização são o motor de qualquer transformação de nossas cidades, que se pretenda progressista e libertária.

Como Professora e Orientadora iluminou caminhos, valorizando o singular como potência.  Como nos esquecermos de seus ensinamentos?  Como não agradecer o esforço intelectual investido em inúmeras formações?

O LASTRO vive – e viverá – na memória de todos nós que dele participaram, por diferentes momentos e gerações e por meio do PENSAMENTO VIVO de Ana Clara, que orienta sobre o presente e o futuro.  Viverá na espontaneidade do sorriso de Ana Clara.  Nosso site permanecerá ativo para dar voz a movimentos sociais no Brasil e para divulgação de iniciativas do LASTRO e de seus interlocutores.

Equipe Lastro

Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 2011

Publicaremos aqui as palavras daqueles que se sintam a vontade.

Para acesso aos comentários da mensagem, clique aqui

Alice Lourenço, Beatriz Filgueiras, Marina A. Xavier, Rodolfo Fonseca e Simone A. Polli

24 de dezembro de 2011

À professora Ana Clara e família,

Queremos expressar, com essa carta, o privilégio de termos sido suas alunas e alunos, orientandas e orientandos. Mais que professora e orientadora, Ana foi uma grande amiga. Poucos tiveram a generosidade de dividir seu conhecimento de forma brilhante e singela, mostrando que o verdadeiro papel de um mestre é  ensinar aos seus aprendizes as ferramentas necessárias para produzir conhecimento, fazer Ciência com compromisso social, consciência de si e do mundo e, ao mesmo tempo, com  autonomia e liberdade de criação.

Com seu exemplo de vida, nos mostrou que o conhecimento exige mais que talento, necessita dedicação, disciplina e ímpeto de superação. Com a delicadeza de seus gestos e palavras, tinha uma maneira muito especial de transformar dificuldades em algo pequeno, enxergando além das limitações, acreditando no potencial e respeitando o tempo de amadurecimento de cada um.

Como orientando(a) sentíamos em sua pessoa um porto seguro porque seu compromisso com a formação do aluno(a) era exigente e integral. Por outro lado, essa atitude despertava em nós um sentimento de responsabilidade com o trabalho intelectual. Com ela, aprendemos os primeiros passos de uma pesquisa, sua importância e seus desafios. Não é possível esquecer suas dicas humoradas e várias de suas expressões que nos animavam a seguir sempre em frente.

Agradecemos o privilégio de ter partilhado com a nossa querida amiga suas sonoras risadas, sua polidez, sua sensibilidade e inquietude. Nos últimos anos, em suas mensagens, Ana sempre se despedia com o lema Viva a Vida. Interpretamos esta frase como uma celebração à vida, à esperança e à alegria, mas também como um chamamento a seguir em frente com determinação e coragem na luta por um conhecimento socialmente comprometido, solidário e livre como incansavelmente buscou Ana Clara.

Num momento em que boa parte da sociedade prega a indiferença e a descrença com o outro, seu exemplo nos conduziu no sentido contrário. Num momento em que a sociedade instiga e produz a rapidez e competitividade, suas palavras valorizavam o conhecimento cotidiano e o ritmo lento. Num momento em que todos se conformam com o sistema vigente sua teoria e prática nos direcionam para a ação combativa contra as desigualdades. Para tal, usava sem piedade sua arma mais poderosa, desconcertante e eficaz: a sensibilidade e delicadeza.

Cada um de nós guarda confidências e lembranças, algumas delas mesmo indizíveis. E levamos a oportunidade, ou quem sabe a responsabilidade, de termos compartilhado essa experiência acadêmica e de vida plena.

Mesmo que tarde, mais uma vez, obrigada Ana Clara!

Paola Berenstein Jacques

mestra maestra (ou, o q ela fazia era música)

“(…) descobri q o q faço é música e q música não é “uma das artes” mas a síntese da consequência da descoberta do corpo (…)”

                                                                        Hélio Oiticica (o q eu faço é música)

Ana Clara era a madrinha do nosso grupo de pesquisa na Bahia, foi ela que nos incentivou à reestruturar o grupo, criar linhas de pesquisa, nos reconhecer de fato como um grupo. Generosa como sempre, ela nos ajudou nesta reformulação, participou ativamente de nossos seminários, encontros, publicações, projetos de pesquisa, defesas de dissertações e de teses, sempre com um enorme entusiasmo que nos contagiava. Ela era nossa madrinha da bateria. Uma bateria de tamanha multiplicidade de dissônancias e atonalidades que só uma verdadeira maestra conseguiria perceber ali, antes de nós mesmos, uma harmonia de conjunto e, mais do que isso, reconhecer as singularidades e diferenças de cada um, cada clave singular de nosso arranjo precário e instável. Ana Clara além de mestra era uma maestra, uma regente corporificada. Nunca deixou de fazer música. Formada pelo Conservatório Brasileiro em harmonia, contraponto e composição, ela nunca deixou de compor. Compunha com conceitos, ideias e palavras. Compunha textos, aulas e palestras. Compunha com a sociologia, a geografia e o urbanismo. Compunha com os ritmos, temas e melodias da experiência urbana. E, além de compor, ela regia corporalmente, como sua própria forma de ação no mundo. Uma grande maestra mestre, mestre na compreensão das micro-conjunturas, mestre na escuta do outro, maestra da experiência da alteridade. Regia a fala do Outro, dos tantos outros, mas ao invés de partituras, ela tecia cartografias. Cartografias das escutas do Outro, das resistências e das insurgências. Cartografias das ações, da vida coletiva e da vida vivida.

Viva a Vida!

Natal de 2011

Eduardo Stotz

Publicado originalmente em: http://www.encontraponto.prosaeverso.net/visualizar.php?idt=3388588

Ana Clara deixou-nos no dia 9 de dezembro de 2011. Não assistiremos mais sua figura miúda a proferir, com voz rouca e suave, firme e serena, palavras incisivas contra as cambiantes formas de opressão social e a favor da resistência em suas miríades e, via de regra, moleculares, expressões. Também ela partilhava da idéia de Paulo Freire, Milton Santos, Victor Valla e tantos outros de que não existe opressão sem resistência.

Na fala e na escrita, essa luta sempre exigiu o exercício da epistemologia da complexidade, ou seja, do diálogo entre as ciências e destas com outras formas de conhecimento, vinculando-o às práticas sociais, principalmente comunicativas.  Extremamente produtiva foi a interlocução promovida por ela entre a Geografia, em sua vertente crítica, de Milton Santos, e a Sociologia, traduzida no acompanhamento e estudo das formas de territorialidade constituídas pela ação social no âmbito das conjunturas políticas. Uma visão parcial de uma totalidade em mudança – eis o que aparecia como fruto da cartografia da ação social criada como método de pesquisa por Ana Clara e seu grupo organizado em torno do Laboratório da Conjuntura Social: tecnologia e território (Lastro) vinculado ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Conviventes, percebemos melhor, sob a luz emitida pelas pesquisas do LASTRO, nossa existência social urbana em seu constante devir.

Ana Clara não era uma acadêmica tradicional, embora fosse Pesquisadora 1 A do CNPq. Desafiava o sistema de ensino superior estabelecido, convertido ao saber operacional e, pois, à lógica da eficiência das parcerias público-privadas, com sua militância intelectual, no sentido utilizado por Bourdieu em Contrafogos: a de uma cientista social a mobilizar publicamente seu conhecimento em defesa da maioria, contra a desigualdade e a opressão sociais.

A vida não se perdeu, mas, parafraseando os versos de Neruda em Amor América, deixou-nos para sempre essa rosa selvagem. Apagou-se uma lâmpada de terra.

Tamara Tania Cohen Egler

Ana Clara Torres Ribeiro

Sexta-feira, dia 9 de dezembro de 2011 , faleceu a socióloga e professora Ana Clara Torres Ribeiro, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, deixando uma lacuna irreparável na pesquisa das Ciências Sociais no Brasil.

Não é possível percorrer esse campo sem se deparar com a sua importante obra, que dialogava na transversalidade das disciplinas. Socióloga de formação, na sua trajetória ela foi pesquisadora da Fiocruz, professora colaboradora da Geografia da UFRJ, e recentemente havia defendido o seu exame de titular junto ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, IPPUR, onde era professora há quase 30 anos.

A sua pesquisa se inicia na compreensão da importância dos movimentos sociais para a transformação das condições de existência das classes populares no Brasil. Com o avançar do seu trabalho ela mostra que a cidade é palco importante da luta política, no contexto de um regime autoritário, e que a institucionalidade política destes movimentos vai se dar após o processo de democratização do Brasil.

Mais recentemente sua pesquisa nos mostrou que a ação social é dotada de alta complexidade e funde cultura e política, sendo que sua manifestação principal se dá especialmente no espaço urbano. Neste momento Ana Clara Torres Ribeiro cria um novo campo de pesquisa, a cartografia da ação social.

A cartografia da ação tem como principal contribuição revelar que não podemos compreender a vida social na cidade em esferas delimitadas pelas disciplinas: sociologia, política, economia, história, geografia, arquitetura. Por que a existência social não pode ser dividida, ela responde por uma totalidade complexa que reúne no mesmo campo os fragmentos disciplinares produzidos pela modernidade.

Mas é como amiga, companheira e parceira de mais de 30 anos que escrevo esta homenagem. Ana Clara Torres Ribeiro foi professora, orientadora e interlocutora de centenas de bolsistas de IC, mestrandos e doutorandos, milhares de estudantes de pós-graduação e inúmeros professores de diversos lugares do Brasil, da América Latina e do mundo.  Tratava todos com a mesma afetuosidade e disponibilidade, do mais simples funcionário ao mais importante dirigente.

Era uma pessoa capaz de escutar e dialogar com o pensamento do outro, revelando o caminho do exercício da investigação crítica e autônoma. Mantinha-se atenta às reflexões de seus estudantes  e orientandos, que assistiam ao seu curso de Métodos e Técnicas de Pesquisa, no IPPUR, acompanhando de perto a pesquisa de cada um dos 20 estudantes, lendo e relendo  todos os projetos e comentando um a um.

Ana Clara trazia no seu nome, a capacidade de iluminar a complexidade da existência humana, por que lia perfeitamente a dor e a alegria do outro.

Ela trazia discernimento, por que era capaz de agir de forma absolutamente justa, e quando, os ânimos se acirravam, ela com sua capacidade de desfazer os conflitos tinha lucidez necessária para apresentar  cada um dos argumentos que orientavam a ação coletiva.

É seu legado que continuemos a  plantar as sementes do seu pensamento,  para que sua mente iluminada continue a clarear a realidade e ajudar a compreender a complexidade do mundo em que vivemos,  nos orientando na direção de encontrar os caminhos da igualdade e justiça social.

Pedro Cláudio Cunca Bocayuva

A centralidade do social: o pensamento e a ação da Professora Ana Clara Torres Ribeiro (IPPUR-LASTRO/UFRJ).

Ana Clara Torres Ribeiro era nossa principal referência para pensarmos a construção do projeto político que leva em conta a componente social de classe, a relação entre poder e técnica, a produção social do espaço e a potencialidade material e subjetiva das práticas cotidianas desenvolvidas pelos sujeitos coletivos na cidade. Pesquisando sobre os conflitos, as demandas, as lutas, desenvolveu uma metodologia inovadora de modo a escutar as vozes das periferias. A sua abordagem teórica e prática permitia projetar as potencialidades emergentes da intelectualidade atuante e nascida nos circuitos da vida popular, desde os vetores das horizontalidades, desde onde a cidade é o terreno da contra-hegemonia.

Ana Clara buscava captar a energia das resistências e dos vetores horizontais das experiências cotidianas, desde onde emerge uma criatividade social e uma produção cultural sob a qual se lastreia e se desenha o mapa, a cartografia da guerra de movimento e da ação molecular dos oprimidos. Generosa com todas e todos, companheiros, amigos, pesquisadores, orientandos, alunos e estagiários, engajada e comprometida com as redes intelectuais de luta presentes nos territórios ditos periféricos. Na obra de Ana Clara a centralidade do social, como centralidade da periferia, emergia da consciência histórica e geográfica que atribuía força social e política para a cultura das classes populares. Ao plasmar suas formas de organização e associação nos territórios, a inteligência coletiva afirma-se em suas instituições, redes e movimentos, a partir dos quais podemos ver as forças transformadoras que agem pelo direito à cidade, desde as periferias, em resposta ao projeto da cidade neoliberal e das suas estratégias de contenção e controle social.

Nas lutas das classes subalternas Ana Clara via outra forma de apropriação das técnicas e do espaço, onde o território usado é marcado pelo tempo da ação dos homens e mulheres lentos, que geram a  conexão entre os circuitos produtivos e os vetores horizontais, os circuitos que desenham outra economia e outra política do novo valor de uso da autonomia, da cooperação e das resistências. No LASTRO uma base de pensamento e análise crítica se fazia através de processos de mapeamento das práticas.  Ana Clara apoiava suas análises na escuta polifônica que permitia tratar das conjunturas e processos que atravessavam as metrópoles, naquilo em que elas são laboratórios, campos de experiência, espaços de luta, onde a correlação de forças ganha localização na cartografia social e política das práticas das classes trabalhadoras e do povo. A nossa Professora e Mestre  Ana Clara Torres Ribeiro é referência nas disciplinas e ciências do espaço, referência na sociologia e na antropologia no Brasil e na América Latina, referência no Planejamento Urbano e Regional, intelectual orgânica pelo seu engajamento ético e político na luta pela emancipação dos oprimidos. A sua vida e sua obra servem de orientação para não nos perdermos nos descaminhos da mercadorização do conhecimento ou no pessimismo que desiste da luta, sua inteligência e otimismo permitiram que a intelectualidade brasileira, através do IPPUR e na UFRJ, tivesse no LASTRO  um ponto de encontro, reconhecido no campo do pensamento crítico latino-americano, reconhecido pelas redes sociais, privilégio para todos que com ela conviveram. A força de sua presença, a chama de sua inteligência e a sua memória estará para sempre registrada em nossa lembrança, nos seus escritos, nas suas pesquisas, livros e nos trabalhos coletivos que desenvolveu. Os efeitos teóricos e práticos do seu método estarão presentes na partitura de nossos “concertos e sinfonias”. As muitas equipes, núcleos, redes e grupos ligados ao seu trabalho têm o dever de difundir e sustentar a originalidade da sua obra, que articula a ciência e a arte da política da inteligência coletiva e do canto emancipatório que nasce do coro das multidões desde o Brasil e a América Latina, desde a periferia do planeta urbano no século XXI.

Alicia Ziccardi

Queridos Amigos,

He recibido el boletín en el que anuncian el fallecimiento de Ana Clara y quiero expresarles mi más profundo pesar por esta irreparable pérdida. He conocido a Ana Clara desde hace muchísimo tiempo a través de sus tabajos y siempre he tenido un profundo respeto por su obra pero, a pesar de mis vínculos tan lejanos con los miembros de IPPUR, a Ana Clara recién tuve la oportunidad de conocerla personalmente este año, en el Congreso de Rio y puede percibir que se trataba de una académica excepcional, que gozaba de un amplio reconocimiento profesional y sobre todo de un inmenso afecto de  todos sus colegas.

Les envio un fuerte abrazo a todos.

Publicado por

LASTRO

O Laboratório da Conjuntura Social: tecnologia e território, criado em julho de 1996, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem, por principal finalidade, a valorização da ação social e dos estudos de conjuntura na pesquisa urbana, no momento em que a reestruturação econômica, apoiada nos fluxos informacionais e em novas orientações administrativas, altera oportunidades sociais, funções metropolitanas e o teor sócio-cultural da vida coletiva. O LASTRO encontra-se organizado em torno de uma proposta de trabalho eminentemente metodológica e transdisciplinar, que inclui o alcance de passagens analíticas, de difícil execução, entre esferas, níveis e escalas da experiência urbana brasileira. No desvendamento de uma metodologia adequada à análise de conjuntura comprometida com a dinâmica urbana, valoriza-se o ângulo da ação, onde outras opções analíticas privilegiam mudanças técnicas e tendências exclusivamente econômicas. Sem abandonar estes caminhos, o LASTRO adota, como seu norte reflexivo, as mutações no tecido social, manifestas através de alterações em representações coletivas dos contextos urbanos e em disputas de oportunidades de integração social. A ênfase na conjuntura corresponde a objetivos analíticos relacionados aos vínculos entre estrutura e ação, aos determinantes especificamente sociais da experiência urbana, à desinstitucionalização de relações sociais e à apropriação social de recursos materiais, técnicos e culturais condensados nos espaços metropolitanos do país

13 thoughts on “Homenagem a Profª Ana Clara Torres Ribeiro”

  1. Ana queridíssima, levaremos junto conosco esse lindo sorriso. Além de toda competência e liberdade de pensamento que possuía, Ana tinha uma capacidade de olhar e enxergar o outro que buscarei levar comigo. A equipe do Lastro foi muito feliz na escolha da palavra “alteridade”. Seu trato com as pessoas é pra mim sua principal distinção. Carregaremos esse afeto por toda a vida. Em 2005, na primeira disciplina que fiz com Ana, paramos durante alguns minutos de uma aula para escutar Fado Tropical. Diminuir o ritmo do dia pra conseguir enxergar o mundo. Não à toa Ana adorava o texto sobre o homem lento de Milton Santos. Sentiremos demais sua ausência.

  2. É, sem duvida alguma a espontaneidade e o sorriso da Ana ficarão sempre guardados nas nossas memórias. Sua simplicidade e capacidade de ir direto ao ponto nas questões concretas e importantes da vida sempre foi o que mais me impressionou. Vai ser difícil conviver sem essa pessoa maravilhosa. Um beijo no coração e muita força para todos aqueles que tiveram o privilégio de conhece-lá.

  3. Queridos colegas e amigos,
    Compartilho seus sentimentos e acho fundamentamental que o trabalho de vocês continue com suas próprias pernas, braços e pensamentos, pois vocês são todos pessoas fantásticas e capazes de contribuir imensamente para nosso campo. Ana Clara era uma líder, mas valorizava a produção e o compromentimento de cada um de vocês.
    Desejo muita força neste momento e carrego a esperança de que o LASTRO permanecerá, sim, ativo por muito tempo ainda.
    Me coloco a disposição para ajudar no que for possível sempre.
    Grandes abraços a todos e viva a vida!

  4. Querida mestra, sorte são daqueles que puderam compartilhar de sua sabedoria. Inesquecíveis as aulas de Pensamento social brasileiro. Inesquecíveis conversas nos corredores do IPPUR. São Pedro faz festa por sua chegada. E aqui, a nós, cabe sermos sempre e cada vez mais militantes da ação!

  5. Ana Clara, orientadora generosa, foi a melhor pessoa que conheci no meio acadêmico e que me deu coragem pra seguir este caminho. Sua sabedoria nos incentivava a viver (e refletir sobre) a vida, com criatividade, sensibilidade e respeito ao Outro. Como amiga carinhosa, costumava dizer: “Viva a Vida!”. Despeço-me com a certeza de que tive uma enorme sorte de ter convivido com esta pessoa tão especial. Seu pensamento continuará vivo em todos nós!

  6. Queridos companheros Do Brasil y de america latina, region que Anna Clara amo profundamente.
    Ya varios amigos dejeron que ella esta presente!!!, su memoria esta mas vivida que nunca!!!
    Considero que Lastro es su obra mayor, por lo tanto todos debemos hacer el esfuerzo de honrar su memoria con trabajo que tanto ella gustaba hacer.
    Un fuerte abrazo
    Jorge sainz
    La paz bolivia

  7. Caros amigos da LASTRO.
    Compartilho com vocês o texto que norteou a palestra que Ana Clara deu no Centro Cultural da Justiça Federal em 20 de maio de 2009. Havíamos participado juntas de uma pesquisa que a FUNDREM contratou com o Milton Santos, na década de 1980, e depois tive o prazer de tê-la como orientadora da minha tese de mestrado no IPPUR/UFRJ. Quando voltei de Búzios, depois de 21 anos longe do Rio, nos reencontramos e, em seguida, assisti emocionada à essa palestra. Pedi que ela me passasse suas anotações, para que eu pudesse refletir melhor sobre o que havia dito. Prontamente, ela atendeu ao meu pedido.

  8. Ana Clara,
    Sua contribuição para a minha (nossa) formação foi imensa. Você era antes de tudo humana, no seu tratar com os próximos, no fazer acadêmico. Obrigada por tudo, que nosso a receba de braços abertos!

  9. Tive o prazer de conhecer Ana Clara fora da academia em três horas de profícua conversa no trajeto entre Canoinhas, onde ela foi ministrar aula inaugural no Mestrado em Desenvolvimento Regional, e Curitiba. Pessoa sensível, carinhosa e generosa… Sorte daqueles que a tiveram por perto por mais tempo.
    Marley Deschamps

  10. Ana Clara era mais que uma orientadora de dissertações e teses, ela dava chão aos seus alunos e apontava um caminho ético dentro deste mundo acadêmico (e além dele) tão preso à vaidades e disputas. Muito me honra ter sido uma de suas alunas!!! Viva a vida!!!!!

  11. mestra maestra (ou, o q ela fazia era música)

    “(…) descobri q o q faço é música e q música não é “uma das artes” mas a síntese da consequência da descoberta do corpo (…)”
    Hélio Oiticica (o q eu faço é música)

    Ana Clara era a madrinha do nosso grupo de pesquisa na Bahia, foi ela que nos incentivou à reestruturar o grupo, criar linhas de pesquisa, nos reconhecer de fato como um grupo. Generosa como sempre, ela nos ajudou nesta reformulação, participou ativamente de nossos seminários, encontros, publicações, projetos de pesquisa, defesas de dissertações e de teses, sempre com um enorme entusiasmo que nos contagiava. Ela era nossa madrinha da bateria. Uma bateria de tamanha multiplicidade de dissônancias e atonalidades que só uma verdadeira maestra conseguiria perceber ali, antes de nós mesmos, uma harmonia de conjunto e, mais do que isso, reconhecer as singularidades e diferenças de cada um, cada clave singular de nosso arranjo precário e instável. Ana Clara além de mestra era uma maestra, uma regente corporificada. Nunca deixou de fazer música. Formada pelo Conservatório Brasileiro em harmonia, contraponto e composição, ela nunca deixou de compor. Compunha com conceitos, ideias e palavras. Compunha textos, aulas e palestras. Compunha com a sociologia, a geografia e o urbanismo. Compunha com os ritmos, temas e melodias da experiência urbana. E, além de compor, ela regia corporalmente, como sua própria forma de ação no mundo. Uma grande maestra mestre, mestre na compreensão das micro-conjunturas, mestre na escuta do outro, maestra da experiência da alteridade. Regia a fala do Outro, dos tantos outros, mas ao invés de partituras, ela tecia cartografias. Cartografias das escutas do Outro, das resistências e das insurgências. Cartografias das ações, da vida coletiva e da vida vivida.

    Viva a Vida!

    Natal de 2011

    Paola Berenstein Jacques
    Coordenadora do Laboratório Urbano PPG-AU/FAUFBA
    Integrante da diretoria da ANPUR – gestão de Ana Clara Torres Ribeiro

  12. Meu grande abraço a família de Ana Clara. Infelizmente ninguém me comunicou este acontecimento e so por laços de amizade no facebook vim a saber de um acontecimento tão triste para mim. Não vou aqui tecer elogios as qualidades intelectuais de Ana Clara pois foram bastante citadas em vários depoimentos e merecidamente. Não teria como dizer melhor do que os depoimentos anteriores, mas queria dizer da candura e da sensibilidade , do amor ao próximo, do respeito ao próximo, da amizade , finalmente do amor que transmitia a seus amigos .
    Ana Clara foi uma amiga em momentos difíceis da minha vida. Depois de minha aposentadoria não encontrei mais com ela, infelizmente e ainda não consigo acreditar que ela se foi. A UFRJ certamente perdeu uma das melhores professoras. e eu estou sentindo uma terrivel frustação de não ter estado mais perto dela os últimos anos. Fique em paz, querida amiga!

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