Boletim do MST RIO – ESPECIAL CÚPULA DOS POVOS 2 – 26 de junho de 2012

Publicado originalmente em MST-RJ, disponível aqui.

Boletim do MST RIO – ESPECIAL CÚPULA DOS POVOS 2 – 26 de junho de 2012

Companheiras e Companheiros,

Na semana passada, cumprimos uma das tarefas mais importantes deste ano: a realização da Cúpula dos Povos. Durante 8 dias, recebemos mais de 2500 militantes da Via Campesina, vindos de todo o Brasil e de diversos países da América Latina e do mundo. Estas companheiras e companheiros estiveram em nossa cidade especialmente para dizer que não acreditam nas propostas de esverdeamento do capitalismo sugeridas pelos chefes de estado na Rio+20.

Para isso, fizemos do sambódromo nossa morada, e as ruas do Rio de Janeiro foram nossa passarela. Alí convivemos com indígenas, quilombolas, entre diversos movimentos, aprendendo a cada dia a beleza de nossa diversidade que nos unifica enquanto classe trabalhadora. Nossas mulheres mostraram sua força, clamando por uma sociedade feminista e socialista, livre das opressões patriarcais e capitalistas. Com uma bela decoração no prédio da Vale, mostramos às multinacionais que nossa vida não é mercadoria, e que não podem roubar nossa riqueza impunemente. A marcha do dia de luta global, terminando na Cinelândia, fez o Rio de Janeiro relembrar as passeatas contra a ditadura, reunindo 80 mil pessoas nas ruas no centro da cidade.

Nossa solidariedade latino-americana também teve espaço na Cúpula, quando juntos com nossas hermanas e hermanos festejamos a Aliança Bolivariana dos Povos. Nos solidarizamos também com o povo da Vila Autódromo, que simboliza a luta das inúmeras famílias ameaçadas e despejadas pelos mega-eventos. E finalmente, quando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil mostrava sua maquete de agricultura sustentável sem sequer um trabalhador, fomos pessoalmente ao encontro dos latifundiários dizer que a única agricultura verdadeiramente sustentável é feita pelas camponesas e camponeses sem agrotóxicos.

Desta forma, acreditamos que cumprimos nosso papel da Cúpula dos Povos. Esperamos ter recebido bem nossas companheiras e companheiros de todo o mundo, para que sigamos na luta com mais força depois deste encontro. Não esperamos nada do encontro oficial, mas temos certeza de que a participação do MST e da Via Campesina na Cúpula dos Povos, unindo-se às lutas da classe trabalhadora vinda de todo o canto do mundo para o Rio, foi essencial para manter viva a chama da luta, na esperança de um mundo com justiça social e soberania popular.

Globalizemos a luta, globalizemos a esperança.

MST-RJ

Cantinho da Saúde garante atendimento aos participantes da Cúpula dos Povos

Tenda da Saúde da Via Campesina atendeu 1150 pessoas no acampamento montado no Sambódromo durante a Cúpula dos Povos.

por Neusa Buffon (coordenação nacional Setor de Saúde MST) e Ivi Tavares (coordenação do Setor de Saúde do MST RJ)

Durante a Cúpula dos Povos foi idealizado um espaço de cuidado em saúde para os 3000 representantes da Via Campesina que estavam alojados no Sambódromo, no Rio de Janeiro. No mesmo local, outras 7000 pessoas de outros movimentos sociais como os indígenas, movimento estudantil, movimento negro e outros também acampavam. A organização do espaço “Cantinho da Saúde” se iniciou no dia 16/06, sendo este montado com alguns materiais e equipamentos comprados pelo movimento e outros doados pelo Programa de Práticas Integrativas da prefeitura do RJ.

O espaço foi composto por vários ambientes: recepção, sala dos medicamentos, sala de curativos, sala de massagem e acupuntura, espaço para repouso e um local para a alimentação da equipe e das pessoas que necessitavam de dieta diferenciada. O trabalho foi iniciado com poucas pessoas, mas com a chegada das delegações no dia 17, o número de cuidadores e cuidadoras  chegou a 36, entre eles 4 médicos militantes.

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Via Campesina promove marcha na Rio+20 para denunciar intensa utilização de agrotóxicos pelo agronegócio por André Antunes e Raquel Júnia – Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz). Colaboraram: Eduardo Sá e Katarine Flor

Protesto contou com mais de 2 mil manifestantes e realizou ação direta dentro do stand da Confederação Nacional da Agricultura, principal entidade dos produtores ligados ao agronegócio.

Denunciar o modelo de produção agrícola brasileiro baseado no agronegócio e propor alternativas para ele: esse foi o objetivo da marcha organizada pela Via Campesina no último dia 21, que levou cerca de 2,5 mil manifestantes à igreja da Candelária, centro do Rio de Janeiro, de onde partiram em direção ao Pier Mauá, na região portuária. No local, estava sendo realizada uma exposição organizada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que reúne os expoentes do agronegócio brasileiro, como a senadora Kátia Abreu (DEM-TO).

O que os policiais e a organização da exposição não sabiam é que do lado de dentro também estava previsto um protesto. Cerca de 300 manifestantes dos diversos movimentos que compunham a manifestação já estavam no local desde a abertura da feira e aguardavam a proximidade da marcha para, do lado de dentro, também passar o recado contra os agrotóxicos e por outro modelo de agricultura.

Em uma ação bastante coordenada, um manifestante disparou as primeiras palavras de ordem repetidas em coro: “O agronegócio é a mentira do Brasil”. “O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo”. “Se o campo não planta, a cidade não janta”. Os militantes pareciam “brotar” de todos os espaços do stand e rapidamente espalharam cartazes por todos os lados, a maquete chamada de sustentável virou um rio de panfletos e cartazes sobre o alto consumo de agrotóxicos no Brasil e os prejuízos dessa prática para toda a sociedade que consome alimentos envenenados.

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A globalização da luta contra os agrotóxicos

por Alan Tygel

Cúpula dos povos reúne lutadores contra os agrotóxicos da América Latina

A Via Campesina reuniu nesta terça-feira (19) campanhas contra os agrotóxicos de todo o continentes na Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro. O objetivo do encontro foi socializar as experiências de luta contra os venenos e articular a construção de um movimento latino-americano unificado partindo das experiências já em construção.

O quinto congresso da CLOC-Via Campesina, realizado em Quito em 2010, decidiu lançar uma campanha continental contra os agrotóxicos e pela e vida. Dentre os objetivos da campanha, estão a luta contra as transnacionais dos venenos, a erradicação dos agrotóxicos e a promoção de uma agricultura alternativa baseada na agroecologia.

“Viendo mi tierra”

Os participantes dos diversos países colocaram a situação da luta contra os venenos em seus países. Silvia Rodriguez, da CONAMURI – Paraguai, reforçou um problema comum a todos: os incetivos dos próprios governos ao uso de agrotóxicos. Segundo ela, a utilização dos químicos vem causando perda de fertilidade da terra, levando muitos camponeses a abandonar suas propriedades. “Na região de Caaguazu, vemos muitas placas escritas: Viendo mi tierra. Já não conseguem produzir mais nada. Além disso, os animais são muito prejudicados. Em tempos de pulverização aérea, o vento carrega os agrotóxicos e os pintinhos amanhecem todos mortos”.

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Movimentos esculacham torturador da ditadura em ato na Cúpula dos Povos

Por Rafael Soriano, da Página do MST

Rio de Janeiro, Botafogo, avenida Lauro Müller, número 96, apartamento 1409. Neste endereço vive confortavelmente o militar reformado Dulene Aleixo Garcez dos Reis, que, durante os anos de chumbo da Ditadura Civil-Militar no Brasil, torturou e assassinou militantes da esquerda, nas dependências do famigerado DOI-CODI na Tijuca. Entre suas vítimas, encontramos o jornalista e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Mário Alves.

Dulene Aleixo foi capitão da Infantaria do Exército em 1970 e serviu no ano seguinte no Batalhão de Infantaria Blindada (BIB) de Barra Mansa. Das 20 horas da noite do dia 17 de janeiro de 1970 até às 4 horas da manhã do dia seguinte, Dulene participou da tortura de Mário Alves, capturado no mesmo dia, o que culminou com a morte do dirigente por perfuração do intestino e hemorragia interna provocadas por empalamento com cassetete de madeira e estrias de ferro.

Demandando Memória, Verdade e Justiça, mais de 3 mil pessoas realizaram um esculacho em frente ao prédio onde vive o ex-torturador. A experiência, herdada de países como Argentina e Chile (onde o protesto se chama Funa), tem sido praticada no Brasil por organizações de juventude e de direitos humanos, como o Coletivo Tortura Nunca Mais e o Levante Popular da Juventude, para pressionar a recém-instalada Comissão da Verdade, do Governo Federal.

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Mais de 3 mil pessoas fazem ato contra a mineradora Vale no Rio de Janeiro

Por Elisa Estronioli

No final da tarde da terça-feira (19/6), os movimentos socais participantes da Cúpula dos Povos realizaram um ato contra a transnacional Vale, em frente à sede da empresa, entre as ruas Santa Luzia e Graça Aranha, no Rio de Janeiro.

Participaram do ato por volta de 3 mil pessoas dos movimentos sociais da Via Campesina, Marcha Mundial das Mulheres, entre outros. A ação foi coordenada pela Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale. A Vale foi escolhida como alvo simbólico para representar as grandes corporações internacionais, cujas práticas desrespeitam os trabalhadores, degradam o meio ambiente e roubam dos povos o controle sobre seus territórios.

“A Vale usa a mesma estratégia em todos os países do mundo. Em Moçambique, são 1365 famílias sofrendo repressão desde 2004; a Vale viola os direitos dos trabalhadores, não dando condições de segurança e higiene e já controla todo o território centro-norte de Moçambique, através da construção de uma linha férrea”, denunciou Jeremias Vunjanhe, militante da ONG Justiça Ambiental, que havia sido impedido de entrar no Brasil na semana passada.

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Cúpula dos Povos leva 80 mil às ruas contra capitalismo

Rafael Soriano, da Página do MST

Mais de 80 mil homens e mulheres formaram um mar de pessoas que, organizadas, cobriram a Avenida Rio Branco no Centro do Rio de Janeiro, desde a Candelária até a Cinelândia.

A mobilização global convocada pelo Grupo de Articulação da Cúpula dos Povos e engrossada por diversos movimentos e a população do Rio de Janeiro, foi o marco do levantar das vozes dos povos de todo o mundo contra o que consideram um teatro barato encenado na conferência oficial, a Rio +20, por chefes de Estado e grandes corporações, que seriam incapazes de promover justiça social e ambiental.

Num chamado à unidade de toda a classe trabalhadora mundial, o dirigente da Via Campesina, João Pedro Stedile, convocou o grande contingente a um pacto histórico: “Propomos o pacto do Rio de Janeiro dos povos em luta, para que voltemos para nossos locais de origem e façamos todos os dias lutas contra os inimigos certos”.

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Ato de solidariedade entre os povos latinoamericanos é realizado na Cúpula

Da Alba Comunicação

No marco da Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio +20, realizou-se no Aterro do Flamengo um grande ato de solidariedade com os povos da Colômbia, Honduras, Guatemala, Venezuela, Cuba, Haiti e Paraguai, com a presença de mais de 500 pessoas.

A atividade, organizada pela Articulação Continental de Movimentos Sociais para a ALBA e Via Campesina, contou com a presença das delegações da ALBA que, depois de participar das reuniões oficiais, se juntaram aos Movimentos Sociais para discutir a problemática ambiental.

O ideal de integração latinoamericana percorreu o painel durante as duas horas que durou a atividade. Na ocasião Francisco Toloza (Colômbia), Salvador Zuñiga (Honduras), Jean Baptiste Chavannes (Haiti), Pérola Alvarez (Paraguai), Rafael Gonzalez (Guatemala), Jesus Cegarra (Venezuela) e Carlos Zamora (Cuba) falaram sobre os desafios dos Movimentos Sociais em nosso continente, e as diversas lutas em curso contra o imperialismo, dando ênfase na rejeição à “economia verde” como uma não-solução aos problemas ambientais de nossas sociedades.

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Via Campesina e movimentos sociais apoiam resistência da Vila Autódromo

Por José Coutinho Júnior, da Página do MST

Mais de 1500 militantes de movimentos sociais do campo, da cidade e indígenas realizaram um ato de solidariedade à comunidade Vila Autódromo, localizada na Baixada de Jacarepaguá, próximo à Barra da Tijuca, nesta quinta-feira (20/6).

A comunidade é ameaçada de despejos há mais de 20 anos e sofre agora nova ofensiva por causa dos Jogos Olímpicos, que serão realizados em 2016. “A Vila Autódromo é um símbolo de resistência de todas as comunidades que estão sofrendo despejos pelos megaeventos, grandes investimentos de corporações, pelos projetos de desenvolvimento que são contrários ao interesses do povo. É um ato também que simboliza a luta dos desterritorializados, que estão sendo expulsos não só no espaço urbano, mas no campo e nas comunidades tradicionais”, afirma Luis Zarref, dirigente da Via Campesina.

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Via Campesina denuncia impactos do agronegócio e condena economia verde

Da Comunicação da Via Campesina

Durante a coletiva de imprensa das organizações da sociedade civil sobre agricultura, concedida nesta quinta (21/6) no espaço oficial da Rio+20, os representantes da Via Campesina Internacional Chavannes Jean-Baptiste, do Mouvement des Paysans de Papaye (MPP), do Haiti, e a canadense Nettie Wiebe, da National Farmers Union, apresentaram um panorama da leitura que a organização faz do conceito de economia verde e do quadro atual de desenvolvimento da agricultura em todo o mundo.

Jean-Baptiste apontou que o processo de usurpação das terras no país da América Central tem crescido com o aumento da demanda por agrocombustíveis. “O Haiti é muito pequeno, temos apenas 27 mil quilômetros de extensão de terras, e boa parte delas têm sido concedidas pelo governo a transnacionais para produzir para exportação. As pessoas estão saindo de suas terras. O governo pediu às prefeituras que aprovem leis que permitam a instalação dessas empresas para produzir commodities para agrocombustíveis. Nós produzimos o alimento do país, promovemos soberania alimentar, a agroecologia e a reforma agrária. Além disso, a agricultura industrial é responsável por 50% do aquecimento global. Estamos aqui para dizer não ao capitalismo verde”, disse.

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Gilmar Mauro: Rio+20 é momento de trabalho de base contra os agrotóxicos

Leia entrevista do dirigente do MST, Gilmar Mauro, para Rodrigo Santaella, da revista da corrente do PSOL Enlace.

“No nosso modo de ver, [a Rio+20] é um momento de agitação e propaganda. Mais do que sair de lá com grandes linhas de definições, achamos que há muitas contradições para que se tenha um documento que aponte para uma luta anti-sistêmica, mas nós temos que aproveitar o momento para politizar o debate e divulgar o debate sobre os agrotóxicos. Nossa intenção no Rio é desenvolver essa atividade.”

“Neste momento , se um trabalhador, um quadro dentro de uma fábrica erguer o dedo, contestar tudo isso, é capaz de ser colocado na rua, por justa causa. Num momento de crise, um quadro dentro de uma fábrica faz diferença, e pode parar a fábrica. Eu digo para nossa turma, um assentamento hoje influi o que no município? Pouca coisa. Mas num momento de crise o referencial de luta construído pelo MST pode ser um referencial importante, porque aí vem a questão, o sentimento de que “nós temos que fazer igual ao MST”.”

Veja a entrevista completa.

Veja mais notícias sobre a Cúpula

http://mst.org.br/
http://cupuladospovos.org.br/
http://www.cloc-viacampesina.net/
http://www.radiomundoreal.fm/pt
http://www.brasil.agenciapulsar.org
http://albatv.org/

Publicado por

LASTRO

O Laboratório da Conjuntura Social: tecnologia e território, criado em julho de 1996, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem, por principal finalidade, a valorização da ação social e dos estudos de conjuntura na pesquisa urbana, no momento em que a reestruturação econômica, apoiada nos fluxos informacionais e em novas orientações administrativas, altera oportunidades sociais, funções metropolitanas e o teor sócio-cultural da vida coletiva. O LASTRO encontra-se organizado em torno de uma proposta de trabalho eminentemente metodológica e transdisciplinar, que inclui o alcance de passagens analíticas, de difícil execução, entre esferas, níveis e escalas da experiência urbana brasileira. No desvendamento de uma metodologia adequada à análise de conjuntura comprometida com a dinâmica urbana, valoriza-se o ângulo da ação, onde outras opções analíticas privilegiam mudanças técnicas e tendências exclusivamente econômicas. Sem abandonar estes caminhos, o LASTRO adota, como seu norte reflexivo, as mutações no tecido social, manifestas através de alterações em representações coletivas dos contextos urbanos e em disputas de oportunidades de integração social. A ênfase na conjuntura corresponde a objetivos analíticos relacionados aos vínculos entre estrutura e ação, aos determinantes especificamente sociais da experiência urbana, à desinstitucionalização de relações sociais e à apropriação social de recursos materiais, técnicos e culturais condensados nos espaços metropolitanos do país

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